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Brasil cresce mas não sai do lugar em competitividade

by Lucas Alves, Agência Indusnet Fiesp last modified 2008-10-01 15:51

Estudo elaborado pelo Decomtec da Fiesp mostra que o País não conseguiu alcançar o México e só se tornará mais competitivo se fizer as reformas necessárias

Em um ranking de 43 países que representam cerca de 90% do PIB mundial, o Brasil só aparece no 38º lugar, mantendo-se na mesma colocação que alcançou há quatro anos no Índice de Competitividade das Nações (IC-Fiesp).

“Apesar de obter melhor nota – 17,4 no ano passado contra 20,2 neste ano –, o Brasil continua no mesmo lugar”, destacou no dia 1º de outubro o diretor do Departamento de Competividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, durante a apresentação do IC-Fiesp.

Segundo Roriz Coelho, a melhoria na nota se deve a fatores como os aumentos de reservas internacionais, dos juros básicos e de investimentos. Por outro lado, o balanço de conta corrente e a alta carga tributária continuam sendo empecilhos para o ganho de competitividade, de acordo com o estudo. No ranking, atrás do Brasil só estão Índia, Colômbia, Filipinas, Turquia e Indonésia.

“A carga tributária brasileira não condiz com sua renda per capita. Ela tira condições de competitividade”, comenta. O custo desta carga para a indústria é elevado e, se fosse igual à de países semelhantes, em vez de R$ 174 bilhões, ela pagaria R$ 125 bilhões.

O IC mostra ainda que a relação entre competitividade e o PIB per capita é clara. “Os países com renda per capita semelhante à do Brasil apresentam elevado crescimento do PIB industrial, dentre os quais se destacam Rússia, República Tcheca, Polônia e China”.

Outra ponta

Apesar da grave crise financeira, os Estados Unidos continuam liderando a corrida pela competitividade.

O diretor do Decomtec explicou que isso se deve aos bons índices de tecnologia, facilidades de crédito e abertura de empresas, IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), entre outros.

Em seguida, aparecem Noruega, Japão, Suécia e Suíça.

Propostas

Com base na performance do Brasil no ranking de competitividade, a Fiesp propõe como prioridade a agenda das reformas política, tributária, judiciária e previdenciária.

“É preciso também investir na modernização da infra-estrutura e definir bem um projeto de aproveitamento das reservas de petróleo no pré-sal”, destacou Roriz.

Implementando a agenda proposta, o IC-Fiesp projeta um crescimento de 70% para o Brasil em 10 anos, sendo que o PIB per capita saltaria para 5,2% ao ano e o PIB cresceria 6,7% ao ano.

Sem a implementação destas propostas, em dez anos o aumento da competitividade seria de apenas 41%, com crescimento de 2,3% ao ano do PIB per capita e de 3,8% do PIB ao ano.

O estudo

O IC-Fiesp é calculado com base em 83 variáveis de oito fatores: economia doméstica, abertura, governo, capital, infra-estrutura, tecnologia, produtividade e custo empresarial e capital humano.

A série histórica de dez anos do índice se diferencia dos demais rankings de competitividade por se utilizar sempre dos mesmos países e das mesmas variáveis.

Isso possibilita a comparação dos resultados para anos diferentes, ou seja, permite a análise da evolução histórica da competitividade dos países.

Segundo o diretor do Decomtec, este tipo de ranking é importante para a realização de investimentos. “As grandes corporações analisam este tipo de informação antes de decidir se vão ou não investir em determinado país”, explica.

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