Caminho da coerência
Crianças, quando se dispõem a brincar, apresentam uma coerência impressionante. Elas se respeitam, dizem o que pensam, montam seu próprio código de ética, praticam o feedback aberto. O envolvimento de cada uma com o brinquedo faz com que o compromisso com o lúdico seja o lema de todos. Divertem-se ao perseguir suas metas, envolvem-se de tal maneira que se esquecem do tempo. Já notaram como é difícil um adulto obter a atenção de crianças quando brincam?
Será possível aprender com as crianças?
Adotar atitudes coerentes e espontâneas na função de liderança é um trunfo que favorece o sucesso da gestão e estimula a adesão dos liderados nos projetos e metas propostos.
Há alguns meses, pelo relato de um profissional, pude perceber que a falta de coerência pode prejudicar, e muito, o desempenho de uma organização.
Por não receber feedback durante oito anos, essa pessoa acreditava estar dentro do perfil desejado pela empresa e que seu desempenho era bom. Só foi tomar conhecimento de suas dificuldades por meio de nossa consultoria, que, num projeto de identificação de talentos, apontou seus pontos fortes e aspectos que mereciam uma revisão. O profissional externou aos nossos consultores sua indignação, queixando-se do tempo que perdeu por não saber de suas carências, pois poderia ter investido em seu desenvolvimento.
Se estamos na era dos talentos, não seria coerente que os líderes acompanhassem o desempenho de suas equipes, orientassem e estimulassem seu desenvolvimento?
Constatamos que, muitas vezes, é mais fácil administrar coisas do que gerenciar pessoas. Esse fato leva-nos a refletir sobre as missões institucionais, os credos propagados, os valores divulgados e a coerência das ações gerenciais frente a esses discursos.
Sabe-se que nem sempre o que está no papel é o que se pratica verdadeiramente. Muitas vezes fala-se em gerência participativa e nem sequer se abrem espaços para idéias e sugestões das equipes de colaboradores. Em outros casos, menciona-se que “a maior riqueza que possuímos são as pessoas” e adotam-se políticas que atendem somente aos interesses da organização, em detrimento das necessidades dos seres humanos.
Há situações extremas em que o posicionamento da liderança é de tal forma incoerente que passa a ser motivo de críticas no seu grupo.
A estratégia do inocente
Um dos arquétipos (*) de Jung traz à tona a inocência da criança, com um “quê” de lealdade e espontaneidade, que vem reforçar a tese de que líderes coerentes têm mais facilidade em obter a adesão dos liderados.
| Perfil | Competências de liderança |
|---|---|
| Mantém a fé e a esperança diante da adversidade. | Acredita em mudanças e que pode colaborar na construção de uma realidade melhor. |
| Demonstra autoconfiança e otimismo. | Postura de otimismo |
| Age com transparência. | Capacidade para correr riscos calculados. |
| Age de acordo com suas crenças e convicções. | Facilidade para energizar pessoas. |
| Apresenta capacidade para romantizar o mundo, ver o lado amável que os outros não vêem. | Transparência e coerência nas relações interpessoais. |
| Tem esperança mesmo quando as coisas não estão boas. | Atitude de reverência às pessoas, à vida. |
| Carrega pontos de referência que fazem perceber o mundo como um “lugar seguro”. | Admiração e qualificação do que é realizado pela sua equipe e colegas de trabalho. |
| Faz o que fala, de forma respeitosa e natural. | Espontaneidade nas relações. |
| Apresenta capacidade de brincar com seriedade. | Capacidade de brincar e usar a espontaneidade nas ações do cotidiano. |
Como alinhar o desejo à ação?
Dicas:
- Constante revisão das crenças pessoais. É a partir delas que formamos nossos valores e nos comportamos desta ou daquela maneira.
- Identificação das fontes de crenças: muitas delas, vêm de uma educação preconceituosa, impedindo-nos de flexibilizar o pensamento.
- Avaliação dos valores de saída, a partir das crenças pessoais: até que ponto estão alavancando ou impedindo meu crescimento como pessoa e como profissional?
- Compreensão e conscientização de que as mudanças são necessárias e implicam adaptação permanente.
- Análise do estado motivacional interno: o quanto estou satisfeito com minha vida atual? O que desejo melhorar? Que mudanças preciso efetivar para obter o que quero?
- Espelhamento na criança interior que faz da vida um eterno aprender.
Podemos nos reinventar e nos inspirar nas crianças, que vivem um dia após o outro em toda a sua plenitude.
Cada um de nós constrói a própria estória e cada ser em si carrega o dom de ser capaz, de ser feliz!
| (*) arquétipos |
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Modelos, padrões primordiais que habitam a consciência humana individual e coletivamente, para personalizar certas premissas, crenças e padrões de comportamentos. |