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Caminho da coerência

by Maria Rita Miranda Gramigna last modified 2007-06-15 08:41

Crianças, quando se dispõem a brincar, apresentam uma coerência impressionante. Elas se respeitam, dizem o que pensam, montam seu próprio código de ética, praticam o feedback aberto. O envolvimento de cada uma com o brinquedo faz com que o compromisso com o lúdico seja o lema de todos. Divertem-se ao perseguir suas metas, envolvem-se de tal maneira que se esquecem do tempo. Já notaram como é difícil um adulto obter a atenção de crianças quando brincam?

Será possível aprender com as crianças? 
Adotar atitudes coerentes e espontâneas na função de liderança é um trunfo que favorece o sucesso da gestão e estimula a adesão dos liderados nos projetos e metas propostos.

Há alguns meses, pelo relato de um profissional, pude perceber que a falta de coerência pode prejudicar, e muito, o desempenho de uma organização.
Por não receber feedback durante oito anos, essa pessoa acreditava estar dentro do perfil desejado pela empresa e que seu desempenho era bom. Só foi tomar conhecimento de suas dificuldades por meio de nossa consultoria, que, num projeto de identificação de talentos,  apontou seus pontos fortes e aspectos que mereciam uma revisão. O profissional externou  aos nossos consultores sua indignação, queixando-se do tempo que perdeu por não saber de suas carências, pois poderia ter investido em seu desenvolvimento. 

Se estamos na era dos talentos, não seria coerente que os líderes acompanhassem o desempenho de suas equipes, orientassem e  estimulassem seu desenvolvimento?

Constatamos que,  muitas vezes, é mais fácil administrar coisas do que gerenciar pessoas. Esse fato leva-nos a refletir sobre  as missões institucionais, os credos propagados, os valores divulgados e a coerência das ações gerenciais frente a esses discursos.

Sabe-se que nem sempre o que está no papel é o que se pratica verdadeiramente. Muitas vezes  fala-se em gerência participativa e nem sequer se abrem espaços para idéias e sugestões das equipes de colaboradores. Em outros casos, menciona-se que “a maior riqueza que possuímos são as pessoas” e adotam-se políticas que  atendem somente aos interesses da organização, em detrimento das necessidades dos seres humanos.

Há situações extremas em que o posicionamento da liderança  é de tal forma incoerente que passa a ser motivo de críticas no seu  grupo.

A estratégia do inocente

Um dos arquétipos (*) de Jung traz à tona a  inocência da criança, com um “quê” de  lealdade e espontaneidade, que vem reforçar a tese de que líderes coerentes têm mais facilidade em obter a adesão dos liderados.

PerfilCompetências de liderança
Mantém a fé e a esperança diante da adversidade.
Acredita em mudanças e que pode colaborar na construção de uma realidade melhor.
Demonstra autoconfiança e otimismo.Postura de otimismo
Age com transparência.Capacidade para correr riscos calculados.
Age de acordo com suas crenças e convicções.Facilidade para energizar pessoas.
Apresenta capacidade para  romantizar o mundo, ver o lado amável que os outros não vêem.Transparência e coerência nas relações interpessoais.
Tem esperança mesmo quando as coisas não estão boas.Atitude de reverência às pessoas, à vida.
Carrega pontos de referência que fazem perceber o mundo como um “lugar seguro”. Admiração e qualificação do que é realizado pela sua equipe e colegas de trabalho.
Faz o que fala, de forma respeitosa e natural.Espontaneidade nas relações.
Apresenta capacidade de brincar com seriedade.Capacidade de brincar e usar a espontaneidade nas ações do cotidiano.

Como alinhar o desejo à ação?

Dicas:

  1. Constante revisão das crenças pessoais. É a partir delas que formamos nossos valores e nos comportamos desta ou daquela maneira.
  2. Identificação das fontes de crenças: muitas delas, vêm de uma educação preconceituosa, impedindo-nos de flexibilizar o pensamento.
  3. Avaliação dos valores de saída, a partir das crenças pessoais: até que ponto estão alavancando ou impedindo meu crescimento como pessoa e como profissional?
  4. Compreensão  e conscientização de que as mudanças  são necessárias e implicam adaptação permanente.
  5. Análise do estado motivacional interno:  o quanto estou satisfeito com minha vida atual? O que desejo melhorar? Que mudanças preciso efetivar para obter o que quero?
  6. Espelhamento na criança interior que faz da vida um eterno aprender.

Podemos nos reinventar e nos inspirar nas crianças, que vivem um dia após o outro em toda a sua plenitude.

 Cada um de nós constrói a própria estória e cada ser em si carrega o dom de ser  capaz, de ser feliz!

(*) arquétipos

Modelos, padrões primordiais que habitam a consciência humana individual e coletivamente, para personalizar certas premissas, crenças e padrões de comportamentos.
Segundo Jung, são estruturas básicas do inconsciente coletivo, potencialidades diversas de expressão e realização pessoal, que configuram uma herança psicológica geral da qual são depositários todos os seres humanos.


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